Dor de garganta, mau hálito ou simplesmente vontade de açucarar a boca são sintomas que possuem só uma resposta: Pastilha Valda. Quem nunca voltou de uma farmácia com uma latinha da bala? Com pouco mais de um século de existência, o produto francês ganhou diversas embalagens e campanhas, mudou a fórmula, estendeu sua linha mercadológica e, principalmente, absorveu o jeitinho carioca.
HISTÓRIA
Criadas por Henri Canonne, em 1902, as pastilhas Valda foram um dos primeiros artigos farmacêuticos a serem industrializados. Na época, os antibióticos ainda não tinham sido inventados, por isso as balas eram utilizadas como forma de prevenção de doenças e solução para problemas respiratórios. Dez anos depois da sua criação, ganharam o mundo e chegaram a terras brasileiras, em 1914. Por duas décadas as pastilhas eram importadas da França e postas à venda em drogarias, mas, com o aumento da demanda e a fama, a produção nacional tornou-se necessária.
Em 1935, Eugene Barrenne, um estimado empresário do setor farmacêutico, comprou um terreno em São Cristovão (Rio de Janeiro) e foi à França pedir financiamento ao criador das pastilhas. Com total apoio, no ano seguinte, Barrenne conseguiu o registro de medicamento outorgado pela Diretoria de Defesa Sanitária Internacional e da Capital da República – Departamento Nacional de Saúde Pública. A fábrica começou a funcionar como Sociedade Farmacêutica Bresival Ltda, e comercializou os produtos Valda até 1975, quando o controle da filial passou ao Laboratório Canonne.
CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS
Com o público alvo predominantemente feminino, na última década, a Valda procurou ganhar espaço entre os jovens com a linha Valda Friends. As embalagens foram inspiradas nos adolescentes e no sentimento de liberdade. Os pacotes do novo produto são de papel, cabem no bolso melhor do que as antigas latas e podem ser levadas para qualquer lugar sem estragar ou enferrujar, como a praia – reduto de todo jovem carioca.
Chicletes e balas sortidas também entraram para o catálogo da marca, em 2000. Sabores como guaraná e maracujá são exclusivos do Brasil, assim como a linha Friends. Foram campanhas criadas para o mercado nacional, remodelando o produto ao jeito brasileiro, e, principalmente, do Rio de Janeiro.
Na década de 90, a saúde da população exigia mais cuidados, por isso, entrou no mercado a linha dietética. As balas, visivelmente, apenas perderam os cristais de açúcar que as envolviam, mas a fórmula é totalmente sem adição de sacarose, mantendo o sabor tradicional e já conhecido.
VALDA E A MÚSICA
A relação do produto com a música se deu desde o início da década de 50, por influência de Eugene Barrenne, que era um assíduo fã do rádio. A Valda foi uma grande patrocinadora do quadro “Vamos quebrar a taça” no programa de César de Alencar, que tinha como atração a cantora Emilinha Borba. O patrocínio seguiu com César até 1964, quando o locutor deixou a emissora e seguiu carreira nas Rádios Tupi, Mundial, Federal e TV Rio, retornando à Nacional em 1987 – durante todo esse período os anúncios da Valda acompanharam o apresentador.
Com o tremendo sucesso dos programas, grande parte se baseava em concursos, a Valda foi disseminando a sua raiz na cultura brasileira e tornando-se cada vez mais um produto nacional, ao invés de pastilhas francesas.
Em 1992, ocorreu o primeiro FestValda no Rio de Janeiro, um festival para bandas iniciantes e independentes mostrarem o seu trabalho. O evento durou até 1999 e aconteceu em diferentes estados do Sul e Sudeste. Um dos prêmios para o vencedor era ter um álbum produzido e gravado pela organização, por isso, foi criado na própria fábrica da Valda um estúdio de gravação. O local é todo equipado com aparelhagem moderna e, hoje, funciona como um estúdio normal, tanto para ensaios de bandas como para gravações.
Durante a década de 90, a Valda foi responsável pela propagação da cultura brasileira, levando jovens a criarem e mostrarem novos estilos musicais. O FestValda tinha uma grande resposta do público e, atualmente, faz falta, pois são poucos os eventos na área musical independente do país.
NOVA FÓRMULA
Na década de 80, a pastilha sofreu uma reformulação e perdeu propriedades medicinais mais fortes, por conta da regulamentação de Órgãos de Saúde. Não é mais usada como um medicamento, contudo a sua eficácia para dores na garganta é a mesma, pois mantém o mentol e o eucalipto que atuam como anti-séptico e antitussígeno. A pastilha Valda é a única bala que vende somente em farmácias, dominando um nicho bastante importante no mercado.
Toda a trajetória da pastilha Valda faz parte da indústria farmacêutica nacional, que nasceu no Rio de Janeiro. A existência por um século do produto mostra o cuidado que o fabricante tem com os consumidores e ajuda a construir um cenário conhecido do mercado carioca.